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INFORMAÇÃO
Estamos vivendo uma
época de revolução na informação, hoje temos acesso as
noticias em tempo real, vivenciamos os fatos e
acontecimentos mundiais, sabemos o que se passa em
locais que antigamente nem tínhamos idéia da existência.
Juntamente com toda essa
informação vem também a manipulação dos fatos,
“notícias”, assim entre aspas, fatos distorcidos pelo
olhar de um expectador, uma visão direcionada a um
objetivo e não mais ao acontecimento em si.
A informação é o poder
maior do cidadão, com ela podemos decidir nossas
posições em relação aos mais variados assuntos, desde a
compra de um alimento, baseado no conhecimento de suas
qualidades nutricionais, até a escolha de nossos
representantes, seja um síndico ou político.
O conhecimento dos
fatos, nos dá liberdade de expressar nossa vontade com
segurança, nos capacita para escolher e fundamentar
nossa escolha e nos torna responsáveis pelas atitudes
tomadas dentro da sociedade em que vivemos.
Numa época de grande
acesso à informação, como hoje, devemos buscar a leitura
dos mais variados pontos de vista, a fim de poder tirar
uma melhor conclusão sobre os fatos, pensando nisso,
resolvi, neste nosso primeiro encontro, apresentar um
texto publicado em 2008, na Folha de São paulo, escrito
por Oscar Niemayer.
“Quando não devemos calar
OSCAR NIEMEYER
Na Folha de São Paulo 16/3/08, o
arquiteto mais jovem do Brasil
No momento em que toda a América
Latina se une contra as ameaças do imperialismo dos EUA,
a Colômbia resolve invadir território do Equador
QUANDO OCORREU a invasão
do Equador pela Colômbia, no dia 1º do mês corrente, que
resultou na morte de 20 combatentes e de um dos
principais líderes das FARC (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, escrevi um
texto, revoltado com o que havia acontecido.
Infelizmente, o texto
que redigi não chegou aos jornais antes da solução
adotada graças à pronta e corajosa intervenção dos
governos latino-americanos, que deram ao mundo uma
demonstração de unidade e força em defesa de sua
soberania nacional.
Como eu não me limitava
a comentar as notícias sobre as FARC que surgiam nos
jornais, mas mencionava fatos ou contatos que tive com
aquele grupo, tomei a decisão de divulgar o artigo que
havia elaborado e agora transcrevo:
É bom, quando nos vemos
diante da necessidade de escrever sobre qualquer
assunto, verificarmos que a seu respeito já nos tínhamos
manifestado anteriormente, que a nossa reação não surge
de um fato novo ocorrido, mas de qualquer coisa que já
nos tinha ocupado e sobre ela havíamos assumido uma
posição definida.
Refiro-me ao que vem se
passando com as FARC, um grupo de revolucionários que,
instalados no território da Colômbia, vem-se opondo há
décadas ao governo reacionário ainda existente naquele
país.
É importante aqui
registrar, aos que insistem em falar da violência dos
revoltosos das Farc, a opinião do historiador britânico
Eric Hobsbawm ("Globalização, democracia e terrorismo",
Companhia das Letras): o combate ao terrorismo, ao longo
dos últimos anos, por parte das autoridades colombianas,
tem superado, em muito, a violência política desses
guerrilheiros.
Lembro-me do emissário
desse grupo que, muitos anos atrás, me procurou em meu
escritório de Copacabana, pedindo-me que desenhasse um
cartaz contra o Plano Colômbia, que, organizado pelo
governo norte-americano, visava intervir nas FARC,
ferindo a soberania do país.
Recordo a maneira
emocionada como aquele emissário me falava do assunto,
da revolta que exibia ao comentar a violência com que o
governo colombiano tentava destruí-los. Em poucos dias,
desenhei o cartaz que ele havia me pedido - um protesto
contra aquele plano odioso.
Uma colaboração política
que muito me agradou, ao saber ter sido aquele cartaz
utilizado até na Europa.
O tempo correu e, sem
possuir a força para eliminar o movimento político já
instalado no país, o governo reacionário de Bogotá
passou a acusar a direção das FARC de ser conivente com
o narcotráfico em crescente expansão na Colômbia.
Agora, no momento em que
toda a América Latina se une contra as ameaças do
imperialismo norte-americano, é que, numa atitude de
violência e desrespeito inexplicável, o governo da
Colômbia resolve invadir o território do Equador,
comprometendo a unidade com que a América Latina tão bem
vem se organizando contra todas essas pressões vindas
dos Estados Unidos.
Com sensatez e firmeza,
o governo brasileiro, por meio de seu ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim, reclamou uma palavra
de desculpa por parte do presidente colombiano, Álvaro
Uribe. E de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, veio a
resposta direta e corajosa que a esquerda
latino-americana esperava.
Sabemos muito bem que os
Estados Unidos têm a ambição de se apossar das riquezas
existentes na Amazônia e que o governo da Colômbia se
presta a servir de ponta-de-lança para essa finalidade.
"Mas agrada-nos,
principalmente, constatar a maneira altiva e vigorosa
com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem
atuando frente aos problemas desta América Latina tão
vulnerável e ofendida"
OSCAR NIEMEYER, 100,
arquiteto, é um dos criadores de Brasília (DF). Tem
obras edificadas na Alemanha, na Argélia, nos EUA, na
França, em Israel, na Itália e em Portugal, entre outros
países.”
Carla Barreneche
Secretaria Geral IBEJUS – Instituto Brasileiro de
Estudos Jurídicos e Sociais
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