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O DESPERTAR DO TORPOR

Vivemos recentemente a euforia da Copa do Mundo de Futebol onde a mídia de massa massacra diuturnamente os sentidos dos brasileiros preenchendo boa parte dos espaços dos meios de comunicação com a “esperança verde amarela”, acentuando uma idéia absurda de “nacionalismo e patriotismo calcada na chuteira”.

Não se perde de vista que o samba, o futebol, o carnaval, faz parte da cultura nacional. Mas é só isso, nada mais do que parte um mosaico cultural que compõe a Nação Brasileira. Se tal fenômeno tivesse somente essa dimensão nada demais.

Ocorre que em verdade a mídia massifica um “endeusamento de atletas e jogadores” que por vezes não detém a qualidade humana, e moral de servir de modelo “a toda terra”.

Exemplo atroz, onde um dado jogador de futebol de um importante time carioca alçado a figura de herói por força da mídia mostrou-se ser o “Carniceiro de Minas”, com a demonstração inarredável de descomprometimento e desvio moral e ético.

O referido “herói” em entrevista a um importante meio de comunicação já acostumado com holofotes apresentando-se “preocupado” com o desaparecimento de uma suposta ex-namorada, quando em verdade ele próprio já houvera “dado cabo daquela” com requintes de crueldade inimagináveis, ou, aliás, imagináveis somente em filmes de horror.

Ainda a figura do atleta remunerado com valores absurdos que se mostra verdadeiro acinte a realidade social e, econômica brasileira, no caso, do jogador apontado, com salário mensal de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), mensais eleva a idéia equivocada que o esporte “o futebol é o principal” e o “conhecimento é o secundário”, por onde passar mais tempo campo de várzea do que dentro de uma sala de aula seria algo natural, aceitável. Não o é.

Cria-se a legião de “pais-empresários”, que desde pequeno, frente aos exemplos midiáticos de riqueza decorrente da “arte do futebol” deturpam, incentivam, e incutem em seus “pequenos Kakas, Romarios, Ronaldinhos” a possibilidade de ascensão econômica (não necessariamente social e cultural) pela dedicação a bola.

Fato é que ausente uma maior preocupação dos meios de comunicação com questões relevantes dos pontos de vista do “interesse público”, aliás, essa é a essência dos meios de comunicação propagar informações de serviços e de interesse público.

Tivesse a atual mídia nacional (de massa) em um País com elevada carga educacional ter-se-ia outras condições onde, por exemplo, como na Europa parte importante dos jogadores profissionais tem formação superior, ainda que tenham delas abdicado para dedicar-se a “arte da bola”.

Fato é que os meios de comunicação têm que mudar a forma com que apresentam fenômenos sociais pondo em nível de importância cada coisa no seu lugar, pois os problemas sociais, econômicos, éticos, e estruturais vivenciados pelo Brasil e pelos Brasileiros não permitem seguirmos vivendo entorpecidos.
 


Samir Adel Salman –
Presidente do IBEJUS - Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos e Sociais

 

 

 

 

             
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